Finis Coronat Opus


-O sofrimento pode ser um alimento, mas só para os fortes, para aqueles que não fraquejam. Caso contrário, você arderá junto às chamas que crepitam em tua alma e com o tempo definhará... Até ser não mais apenas que cinzas. Cinzas imundas de um alguém vencido por si próprio.

O sofrimento pode ser um alimento... Essas palavras ressoaram na mente de Luccas em meio à dor e desespero de quem possui as articulações amarradas por, bom, sabe-se lá quantas horas. Ele precisava se alimentar do sofrimento, caso contrário não sabia se iria conseguir sobreviver àquilo. O medo lhe tomava conta.

-Eu posso te ensinar o caminho. Posso te ensinar a não ser a vítima, te ensinar a ganhar e a fingir que perdeu só para brincar com os outros. Tudo o que precisa fazer é ser meu. 

Luccas não conseguia raciocinar. A fita que lhe amordaçava também diminuía a capacidade de aspiração do ar. Cada vez mais respirava com dificuldade. Quanto mais o desespero lhe aplacava, quanto mais forçava as amarras, mais a respiração ficava fraca. Sentia os pulmões buscarem por ar, mas não conseguia suprir essa necessidade vital com eficiência... Nu, naquele chão frio e duro, com suas partes indefesas. Como raciocinar?

-Tudo o que precisava era da fagulha. Eu apenas acendi o fósforo, você é quem está alimentando a chama. Tens medo por estar caindo no desconhecido. Desespera-se por estar entrando em contato pela primeira vez com sensações antes ocultas. Tens medo do potencial que possui. –Passou o bico de sua bota na bunda de Luccas, forçando-a ao encontro daquele cu, como que se quisesse enfiar aquela bota e tudo o que pudesse dentro dele. Agora a intensidade da fagulha nada mais é que o reflexo de si próprio. Ela será uma fagulha ou labareda imensa?

Era para ser apenas mais uma foda... Havia se preparado para mais uma noite de sexo com aquele homem com quem saía há uns seis meses já . Enquanto se preparava imaginava qual seria a posição que receberia aquele cacete, em qual posição aquele homem meteria a língua em seu rabo... Rememorava o cheiro daqueles pelos, a força com que aquelas mãos envolviam sua cintura e a velocidade com que aquele cacete lhe rasgava as entranhas. Pensava nos beijos, na saliva escorrendo pelo cu, as palmadas que recebia... E agora ali estava. Nu, amarrado, amordaçado e jogado no chão.

-Não se desespere. Se pretenderes atingir os céus, terás de descer até as profundezas do inferno antes. E acredite em mim, é melhor fazer isso com um guia ao teu lado. Sou a prova viva que trilhar este caminho sozinho é perigoso.

O que fazer? Aquele homem sabia onde morava, onde trabalhava e quem conhecia. Maldita a hora em que se deixou levar pela carência e pôs aquele desconhecido dentro de sua casa, apresentou os amigos, conversou sobre a sua vida, seu passado e suas aspirações futuras. Não percebeu em momento algum a teia em que estava caindo. Não percebia o oculto em cada olhar, em cada gesto daquele homem. Como pôde ser burro e infantil. 

E como pode estar tão louco. A voz daquele homem lhe penetrava a mente com ferocidade. Como um prego estourando a madeira, forçando-a a abrir-se, alargando-a e cavando fundo seu cerne. Destruindo qualquer barreira.

Luccas sempre foi a fagulha, fraco diante de seus próprios limites, irresoluto diante dos desafios. Incapaz de ir além. Aquele homem foi capaz de lhe dar a confiança em si que nunca tivera. Sim, de tão morno necessitou de outro para lhe esquentar. Tinha medo de não conseguir seguir por esse caminho sem ele. Tudo o que ele mostrou, tudo o que ele ensinou... Aquele homem foi o primeiro que conheceu o calor interno do seu corpo, o primeiro que lhe abriu. Foi como ser atingido por um caminhão, não por conta do tamanho daquele cacete, que a cada vez que forçava entrar em seu corpo, era como ser estuprado. Uma dor que lhe rasgava, uma satisfação que lhe consumia. Não por conta de sua força, de sua fácil capacidade de lhe erguer no ar e ainda encontrar seu rabo para penetrar ou sua boca para beijar. Foi como ser atingido por um caminhão em sua mente, em seu inconsciente. Acordando uma parte de si sempre adormecida e que nunca saberia que existia sem que ele tivesse acordado... E domado até certo ponto.

Queria mais, aquela parte recém-acordada queria mais.

-Só o que te machuca pode te fazer sentir melhor... Eu vi isso em você. Sê meu, mais do que já é. 

Luccas parou de tremer. O êxtase lhe tomou conta, enfim. As dores das amarras se transmutaram em uma sensação diferente, a sensação indefesa que pairava em sua mente tornou-se o combustível daquele calor que lhe consumia. A falta de ar potencializou aqueles calores. Que era aquilo? Havia bebido algo? Tinha a vaga lembrança que sim, quando chegou na casa dele, tomou uma bebida. Tinha algo nela? Drogas? Era ela agindo novamente? Depois que bebeu acordou já no chão. Não podia ser a droga. O efeito já passou. Era ele!

O homem percebeu, era visível. O corpo tornou-se rubro, as pupilas dilataram. O pênis, amarrado entre cordas pulsava. Ela havia conseguido... Era seu.

Levantou suas pernas, deixando-o fácil. Cuspiu. Encaixou seu pênis em suas curvas e forçou. Entrou centímetro por centímetro observando Luccas querer mais silenciosamente. Não encontrou barreiras, apenas um corpo que se abria ainda mais facilmente, pois o desejo lhe havia feito réu desse julgamento pecaminoso. 

A sentença? Servidão.

Aquele homem sentiu o corpo de Luccas pressionar seu mastro. Meteu tudo. Suas bolas roçavam naquela bunda, não havia espaço entre aqueles corpos. Segurava as amarras do tornozelo de Luccas, erguendo-o como um animal abatido, um prêmio conquistado.

Luccas sentia, delirava. As mãos amarradas para trás suavam e tremiam, o corpo elevado à máxima potência. Aquele homem podia fazer o que desejasse. Penetrar-lhe era o desejo. E penetrava-o! As palavras martelavam, o cacete lhe invadia, as amarras bloqueavam parte da circulação, o suor facilitava tudo.

-Você... –metia seu mastro com tudo. É... – Uma nova estocada sem piedade. Meu?... Derramou todo o seu peso em cima do corpo de Luccas. Se pudesse, entraria todo naquele rabo, faria morada dentro daquele cu macio e quente. E como viveria feliz!

-Ahrrrg! Gritava, abafado pela fita que lhe amordaçava, de dor e possessão ora demoníaca e ora angelical.

Aquele homem não se cansava, adquiriu um vai e vêm frenético. Devorava aquele rabo. Sentia que ia gozar, mas não podia! Tinha de mostrar mais àquela criança.

-Vou te mostrar mais hoje. –tirou seu pau melado e pulsante de dentro dele, mas antes de prosseguir em seu intento, resolveu brincar um pouco. Sentou no pescoço de Luccas, que arfava forte, e esfregou aquele mastro melado pelos líquidos daquele cu. -Sinta! Sinta o cheiro do teu rabo. Sinta o cheiro que habita dentro de ti. Esfregou também o saco, fazendo com que Luccas ficasse impregnado pelo cheiro daquele homem, de sua virilidade, de seu sexo.

Assim que terminou seu entreato, levantou-se, ergueu pelas cordas que passavam pelas costas de Luccas e colocou-o de quatro. Luccas agora não via senão somente a parede cinza daquele cômodo. Não havia como sentir confiança. Aquele homem lhe drogou, amarrou, praticamente o estuprou, o que viria mais?

O homem observava sua arte, cada nó, um mais apertado que o outro. E onde apertavam a pele tornava-se pálida como cera. Shibari primoroso. As cordas afundando naquela pele cada vez mais. Luccas ouviu aquele homem ir, abrir uma porta, fazer mais alguns barulhos e voltar.

O homem sentou em suas costas, como um cavaleiro sentando em seu cavalo. Abaixou-se e acariciou os seus mamilos rígidos. Tremores lhe envolveram, calores foram novamente reaquecidos e como um balde frio, sentiu presilhas abocanharem seus mamilos. Estava tão sensível que não controlou o grito, mas de nada adiantou gritar. Ninguém viria acudi-lo.

O homem apertou as presilhas e as puxou, deitado nas costas de Luccas, impossibilitando-o de se movimentar. O frio percorreu a espinha daquela pequena vítima, estava lhe machucando, pois o corpo antes aberto aos prazeres, sensível e fácil tornava-se rígido e arisco. Como podia algo tão simples doer tanto?

Então parou. Ah, por Deus ele parou!

Mas Deus havia tapado os olhos para aquela situação e deixou Luccas à mercê do demônio.

O homem prendeu fortemente Luccas no chão através de outras amarras e ganchos presos ao chão. Dessa maneira ele estava de quatro e impossibilitado de qualquer movimento. Sua bunda estava erguida e brilhava na meia luz do aposento. Seu cu, vermelho e pulsando, estava ali, à mostra e fácil para ser tocado, lambido, penetrado...

Um flash percorreu o ambiente.

E outro.

Outro próximo ao seu rosto preso ao chão.

-Isso é apenas um lembrete. Caso a resposta seja não, coisa improvável, ou caso você conte a alguém. Se tentar me sujar, te sujo junto. Cada pessoa que conhece terá suas fotos. Conhecerá a cor de seu intestino, pois rapaz... Ah, como você está aberto!

Parou um pouco, olhou ao redor, contemplando aquele ato perfeito.

-E eu vou te abrir ainda mais.

Toda a energia que restava em Luccas foi direcionada para seu cu na tentativa de fechá-lo ao máximo e impedir que qualquer coisa o penetrasse. Tentativa fracassada. Enquanto Luccas se esforçava para manter-se fechado, os dedos daquele homem penetraram-no como se não houvesse qualquer impedância.

Sentiu um, dois... Dedos ágeis e úmidos. Dedos que sentiam as paredes daquele cu se dilatarem. Tinha potencial e iria explorá-lo, nem que tivesse de forçar um pouco. Todo prazer carrega em si a dor. Todo gemido surge de um grito abafado pela lascívia e pecado.

Três... Luccas sentia como se fosse rasgar. Uma coisa era um pau, roliço. Outra eram dedos, que dançado dentro de si, brincavam, giravam, arrombavam cada prega.

Quatro... Lágrima nos olhos. Dor no cu. E um prazer demoníaco na alma. Uma hora eram quatro da esquerda, outra hora quatro da direita, ás vezes apenas dois de cada mão que quando dentro de seu rabo, arregaçava-o, deixando à mostra o vermelho intenso e vívido de suas entranhas, o homem cuspia naquele cu, naquele buraco aberto e quente. Olhava, contemplava.

Cinco. Cindo dedos! O homem forçava, mas paravam nas últimas falanges da mão. Luccas tremia, tinha medo, tinha dor, tinha vontade. Aquela mão não entrava mais, mas ainda sim era forçada a entrar. Aquele cu não se abria mais, mas era forçado a se abrir.

Sentiu um gel viscoso descer-lhe pela bunda, gelado, caindo para dentro de seu rabo aberto. E novamente a mão. Mais úmida, mais lisa, mais firme. A sensação de estar se rasgando ao meio só não era maior que a vontade de descobrir até onde podia ir. O quanto aguentaria mais? Ele não iria parar!

A mão entrava mais, quanto mais se mexia, mas ela entrava. Luccas era seu próprio algoz. Não havia mais cu, apenas um buraco laceado que era forçado a se lacear mais ainda.

Sentir um calor em sua bunda como nunca antes. Um segundo e aquela mão entrou. O homem urrou, Luccas chorava de dor e queria mais! Mais dor, mais prazer.

Segundos. Foi apenas isso que o homem manteve-se inerte dentro de Luccas.

E dentro daquele corpo laceado fechou sua mão e iniciou um vai e vem. Metia o punho não muito fundo, mas fundo o suficiente para Luccas sentir que havia um homem inteiro dentro de si.

O homem sentia o anel apertar seu punho, sentia a maciez interna daquele corpo. Conseguia sentir a pulsação sanguínea. Fistar aquele puto lhe arrepiava, pois queria isso desde quando colocou-o em sua teia e sabia que ele iria ser um escrevo para toda a vida depois disso, pois modéstia parte... Fistava muito bem.

Girava o punho, forçando aquele intestino a lacear-se mais. Entrava mais fundo, via a pele ser esticada, ficar vermelha. Sentia o corpo de Luccas tremer.

Cada vez mais fortes eram os espasmos de Luccas, até atingirem um nível que o homem não poderia deixar de notar. Era agora o momento, a coroação de quem fista um rabo pela primeira vez. Seu punho adquiria uma velocidade feroz, girava e entrava fundo, até onde conseguia, até onde podia, Luccas sentia que iria rasgar-se ao meio, que seus órgãos internos estavam todos embaralhados, que ia atingir os céus ao mesmo tempo em que descia o inferno, chorava e gemia abafado, se pudesse estaria gritando o mais alto que pudesse, mas sem tirar aquela mão do seu rabo. Queria mais. Sentia seu pau latejar. Seu saco doía, estava lá... A coroação.

E assim se sucedeu! Enquanto seu cu era estourado, seu pau chorou copiosamente aquelas lágrimas cálidas, a sagração do pecado. O corpo arrepiou-se, o homem teve de parar, a força que aquele cu adquiriu foi intensa, deixando o seu punho dolorido com a pressão.

O orgasmo mais intenso da vida até então, não parava de tremer, aquele era o paraíso. O renascimento.

Ficaram ambos imóveis.

Vagarosamente o homem foi tirando seu punho, observando a pele ficar ainda mais esticada, Luccas forçava o punho para fora também, tinha de tirá-lo, doía. Mas seu inconsciente queria-o lá dentro para sempre. O homem não teve escolha e num movimento rápido tirou tudo e observou Luccas de um jeito que ninguém havia feito... Por dentro.

Era um vazio estranho no corpo de Luccas.

O homem lhe soltou do chão, mas o manteve amarrado e o pôs ajoelhado.

O mesmo punho que lhe fizera renascer agarrou seu rosto e o fez olhar nos olhos. Luccas sentia o cheiro de seu cu nos dedos daquele homem.

-Você é meu? Luccas consentiu assertivamente com os olhos vermelhos e o rosto cheio de lágrimas. 

O homem cuspiu em seu rosto. Segurando seu rosto firme, se pôs a masturbar-se e não demorou para demarcar seu território. Sua porra lambuzou aquele rosto, os cabelos, escorreu pelo pescoço. Com os dedos ele foi catando o que pode e forçando Luccas engolir.

Luccas sentiu o gosto de seu cu misturado à porra quente.

-Agora sou teu mestre e você é meu escravo para todo o sempre.

Autor: JC


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