Raptado


Prólogo

França, século XVIII.
Uma sombra caiu sobre as frias florestas do norte, em Grenouille. As velhas e altas azinheiras se tornaram sombrias e tenebrosas graças à presença de um ser aterrorizante que passou a habitar as localidades. As noites de festas regadas aos mais distintos vinhos e pães dos mais diversos cessaram! Os bandoleiros, assim que a noite cobre com uma névoa espessa os campos, florestas e montanhas, guardam seus instrumentos, receosos com o que está por vir por entre a tênue névoa. As jovens já não ficam mais debruçadas em suas janelas observando o doce luar e esperando seus cortejadores.
Qual? Qual o motivo para esse medo, para todo esse terror?
Ah como é horripilante! A repugnância atinge níveis escatológicos! Uns dizem: “Pobre criatura!” outros bradam com facões e machados empunhados: “Demônio das sombras do inferno!”...
Esta criatura de que vos falo fora apelidada de Monstre Noir, pois o luar das noites mais frias é seu companheiro de carnificinas e ritos dos mais diversos tipos!
***

Uma Terra Perigosa

A carruagem luxuosamente trabalhada com finos fios de ouro e delicadas pérolas, ametistas e rubis deslizava em total silêncio. A noite era fria e a nevoa mais uma vez caía sobre a estrada. Em seu interior o senhor Antoine de La Fontaine observava as grandes azinheiras passarem rápido pela pequena janela entreaberta. Pensava em voz alta:
“Ele está lá, em seu fétido leito, dormindo... Ou tramando mais um de seus ataques... Ou até mesmo observando-me por entre estas árvores! Mon Dieu!!!”
Devido ao pânico, Antoine fechara a janela de sua carruagem com grande estrépito.
-Senhor? O que aconteceu? – Exaltou-se Thierry Truder, seu acompanhante e pupilo, que estava sonolento.
-Nada pequeno Truder... – Thierry Truder era mais novo que La Fontaine, por isso era chamado por ele de “pequeno” Truder – Nada. Somente a ansiedade em chegar o mais rápido possível a um lugar decente para poder repousar.
-Estamos quase chegando senhor! Não se apavore... – Respondeu Truder.
-Não estou apavorado, apenas ansioso.
Um momento de silêncio pairou no interior da carruagem.
-Senhor?
-Sim pequeno Truder...
-É verdade o que ouvimos – Sua voz abaixou ao ponto de ser apenas um rouco sussurro – sobre Monstre Noir?
-Meu pequeno... Ele é um monstro! Uma aberração! Está, neste momento, aí fora espreitando sua próxima vítima... Ele já cometeu muitas atrocidades. Meu pai está receoso com minha vinda ao ducado...
-Mas o senhor terá guardas à vossa disposição...
-O que impede uma aberração de cometer seus atos demoníacos?
-Realmente... Mas nada acontecerá ao senhor! Se acontecer, eu farei de tudo para lhe proteger!
-Ahhh, meu Truder! Sempre do meu lado, sempre me protegendo... – La Fontaine não via Truder como um irmão, via-o como um homem e Thierry não tinha La Fontaine como pai e sim como o mais belo de todos os homens que pisava na Terra...
-Sempre. – Respondeu enrubescido.
-O medo de meu pai é que ele descubra que o saudável filho do Duque de Grenouille está ao seu alcance!
Realmente, por mais que Antoine de La Fontaine estivesse com seus 32 anos, seu físico era invejável! Muitos dos poderosos senhores que residiam no vasto ducado de Grenouille nutriam grande inveja por suas formas perfeitas (inveja e desejo). Sua pele branca como a névoa que cobria as noites daquela região acentuava seus lábios vermelhos e carnudos, sobrancelhas espessas chamavam a atenção para seus olhos extremamente azuis e vivos. Um brilho mágico existia em seus olhos... Todos se perdiam em devaneios ao olhá-lhos.
-Ele não será louco! Pode ser uma besta demoníaca, porém não é idiota... – Bradou Thierry com os punhos cerrados.
-Meu amor... Controle-se.
-Só de pensar que alguém poderá vir a fazer mal ao senhor, eu simplesmente enlouqueço!
-Ahh... Como é bom ser amado.
-E como é bom amar...
-Senhores! – Gritou o cocheiro.
-Diga! – Truder ordenou colocando a cabeça para fora da janela da carruagem.
-Eu já estou avistando os portões da cidade!!! Falta pouco para chegar.
-Obrigado meu Deus. – Disse Thierry beijando seu crucifixo.
Depois de alguns minutos já estavam dentro da cidade. Como era noite, havia poucas luzes acesas e poucas janelas abertas. Foram direto para o grande castelo do pai de Antoine de La Fontaine. O senhor Auguste, um homem em idade avançada, com cabelos brancos e rugas que mostrava a velhice avantajada veio recebê-los. Em sua mão pendia um grande anel de ouro com uma serpente sendo capturada por uma águia. Era o brasão da poderosa família La Fontaine. Antoine também tinha o seu, assim como sua falecida mãe Elizabeth já teve um.
-Antoine! Meu filho!
-Auguste! Meu pai...
-Sempre forte, sempre viril! – Exclamou aos gritos e risadas abraçando-o - Como vai Truder? – Para Thierry o olhar foi frio e seco.
-Otimamente bem, senhor Auguste.
-Deve estar cansado meu filho... Venha, lhe mostrarei os seus aposentos. – Disse dando as costas para Truder.
-Antes meu pai... - Disse Antoine - Desejo que Truder fique em meu quarto.
-Como?
- Nos tempos de hoje não é aconselhável dormir sozinho. Ainda mais neste lugar sendo filho do Duque de La Fontaine com uma besta a solta.
-Colocarei guardas em sua porta. Não será preciso.
-Mas não colocará guardas DENTRO de meu aposento. Essa besta é ágil... O senhor bem sabe disso. Truder é exímio lutador. Exijo, não peço.
-Ora! Assim sendo! Acabas de chegar... Não irei discutir com você meu filho!
-Obrigado meu pai. Mas eu estou muito cansado... Gostaria de deitar-me por agora.
-Sim, sim...
-Sua benção meu pai.
-Que Deus lhe abençoe.
Dito isso, Antoine e Thierry subiram as escadarias do belo castelo passado de geração em geração aos seus. Entraram... Trancaram as portas... Fecharam as janelas...
E se entregaram ao prazer de seus corpos quentes sedentos pelo sexo mais selvagem que possa existir entre duas almas.
No meio daquela orgia de desejos e luxúrias, Antoine e Thierry começaram a escutar, vindo de fora, um murmúrio estrondoso, como milhares de vozes falando ao mesmo tempo.
-Truder! O que será? – disse Antoine exaltado.
-Meu amor vamos nos vestir e descer... Deve ter ocorrido algo...
Trocaram-se e desceram. Foram em direção à entrada principal, um tumulto estava formado. Um homem gritava, sobrepondo-se aos outros que empurravam as portas da mansão para entrar:
-Meu filho!!! MEU ÚNICO FILHO!!! Fora levado!!! Aquela besta DEMONÍACA!!! - Ao mesmo tempo em que falava, seus olhos lacrimejavam.
-Tirem! Tirem esse homem daqui! – Gritava Auguste para seus serviçais e guardas particulares.
-O que o senhor irá fazer?! – Gritava outro
- Ficará de braços cruzados?! – Berravam mais além.
-Vamos matá-lo! Vamos caçá-lo! – Se ouvia.
-Meu pai! – Chamou Antoine.
-Antoine! Suba! Tranque-se! Esses animais estão loucos! LOUCOS!
-O que houve?
-Aquela besta! Aquele animal de repugnância! Capturou mais um!
-Mon Dieu... – Exaltou-se Antoine.
-Deus! Onde está Deus??? Meu filho foi levado e ONDE ESTÁ DEUS!? – O homem continuava berrando.
-Pai... Fale para os seus guardas e serviçais levarem essas pessoas para a igreja. Precisamos tomar providências.
-Ótima idéia!
Virando-se para Thierry, Antoine disse:
-Vamos pequeno Truder... Nossa estadia nessa terra será perigosa. Vamos conversar com esse povo.
-Você não está pensando em bancar o bom samaritano e sair atrás desse monstro para salvar seja lá quem for... Está?
-Essas pessoas é que fizeram o dinheiro de meu pai. É o mínimo que se pode fazer. Não me decepcione com atitudes de pouca fé Thierry Truder!
-Sim, senhor La Fontaine.
***

O Prelúdio da Tempestade

A igreja lotou. O murmúrio de centenas de bocas falando era insuportável. Muitos ficaram em pé e outros do lado de fora... Antoine estava postado no local onde antes o padre fazia sua ladainha.
-Silêncio... Silêncio! SILÊNCIO!
As bocas foram se fechando gradualmente.
-Senhores, o que acabou de ocorrer vem se repetindo por muito tempo neste local. Acho que é chegada a hora de nos organizarmos e, enfim, colocar um basta nessa história sangrenta!
Uma ovação invadiu aquela igreja. O padre nunca vira aquele local tão cheio de gente...
-Conte-me homem o que houve com o seu filho.
-Meu filho... Josef! Meu Pai eterno! Ele estava colocando algumas ovelhas para dentro do cercado, no campo... Quando só ouvi os seus gritos...
-Tem certeza que foi a besta Pierre?
-Sim! Eu vi a besta correr para dentro da floresta arrastando meu filho, Josef, pelos calcanhares!
-Contando com mais este, já é a sétima vítima! – Disse padre Yorran.
-Sétima? Mon Dieu! – Exclamou Thierry
-Mas seu filho já é um homem formado! – Disse Auguste – Poderia ter lutado!
-Ahh... O senhor esqueceu quem é Monstre Noir? Sua força supera a de dez homens! – Gritou um ao fundo.
-Todos foram encontrados mortos, todos homens, alguns apresentavam sinais das mais cruéis torturas... Todos mortos e sem suas partes. – Padre Yorran disse apontando para o seu colo.
- Abominable! – Outro mais além exclamou. – Ele sugou as almas desses pobres coitados.
-Ele tortura suas vítimas... E devora seus sexos! Eu digo que vocês não devem procurá-lo! Ele irá parar! Com a força de Deus!
-Obrigado pelo apoio padre Yorran e obrigado por sua humildade perante essa mais nova vítima. – Antoine disse seco e padre Yorran baixou a cabeça.
-Dizem que ele voa! Suas asas são negras e enormes, com garras em suas pontas... – Uma mulher gorda gritou.
-Ele também tem chifres! Como o Diabo! É horrível! – Um homem cego de um olho falou.
-Meu filho irá morrer... Irá morrer!!!
-Acalme-se homem! Confie em Deus! – Antoine tentou acalmá-lo.
-DEUS??? Onde estava Deus no momento em que ele fora capturado? – Cuspiu no chão.
-Não desafie o nome de Deus debaixo de sua santa casa iluminada! – Disse padre Yorran.
-A única igreja que ilumina é aquela que está ardendo em chamas!
Um silêncio invadiu o local. Pierre estava em pé com os punhos cerrados, seus olhos estavam vermelhos e sua testa pingava suor.
-Perdoe este homem padre. Ele não sabe o que diz. – Disse Antoine. – Senhores! É hora de matar essa besta! Iremos atrás dela e cortaremos o seu pescoço! Quem será suficientemente corajoso para acompanhar-me?
Passado um breve instante de silêncio, onde se aparentava que ninguém iria estender a mão, aos poucos algumas foram se levantando. No final, todos os homens (com exceção de alguns velhos e outros muitos jovens para o perigo) do condado se uniram em prol da caça à Monstre Noir. Uma média de trinta homens.
Auguste estava seriamente perturbado. Nunca ninguém se pôs a caçá-lo e agora o seu próprio filho iria fazer isso com a ajuda de todo o condado. Isso não era bom. Monstre Noir tinha seus truques... E seus segredos.
-Não posso permitir que vá. – Disse Auguste a Antoine.
-O que o senhor não pode é impedir-me.
-Deixe essa besta em paz! Tu, que está com esse humanismo em tua alma, não conseguirás obter resultado algum com essa tua loucura.
-Do mesmo modo que aquele animal levou Josef, poderia ter me levado.
-Garanto que não, pois o seu exímio lutador teria impedido...
-Não acatarei as suas provocações.
Dando as costas a seu pai, Antoine se juntou ao grupo que saía da igreja, mas antes observou que Auguste conversava aos cochichos com Idorré, seu guarda particular e o padre Yorran saía correndo pelas portas dos fundos da igreja. Mas sua atenção fora desviada para Thierry que vinha em sua direção.
-Não tente me impedir.
-Eu irei com você.
-Como?
-Não tente me impedir, uso suas mesmas palavras.
-Não, você não vai!
-Pois é essa mesma sensação de perigo que estou sentindo por você. Eu vou, já que você também vai.
***

O Covil do Demônio

As mãos estavam amarradas assim como os seus tornozelos que além de amarrados estavam inchados e roxos. Suas costas ardiam, pois era carne viva e suas roupas sumiram. Josef, sentado em uma cadeira no interior do que parecia uma grande caverna, observava o único ponto de luz que seus olhos podiam enxergar. Esse tal ponto de luz vinha de um buraco no teto dessa grande caverna.
-So... Socorro! – Murmurava baixinho. O medo e as dor em sua nuca não lhe permitia fazer grandes esforços. Mas assim que ele acordou e se pôs a clamar por ajuda a besta percebeu e começou a arquitetar seu plano de sedução.
Josef ouvia passos... Sua visão estava turva, embaçada... Mas ela sabia quem estava vindo em sua direção, pois enxergou uma figura alta e negra se aproximando da onde estava e se pôs a arrastar a cadeira com os pés, porém, diante de tanto esforço a cadeira caiu para trás provocando uma dor alucinante que vinha de suas costas ensangüentadas.
-Você... – Uma voz rouca, quase que um sussurro começou a falar – Você vai me amar... Eu vejo que é diferente dos outros... Eu vou fazer carinho em você, não foge não...
Uma mão gelada e disforme agarrou Josef pelos cabelos e o puxou de volta à posição em que estava antes de cair, ele só não desmaiou por causa do medo que deixava seus sentidos em alerta. O rosto da besta estava a centímetros de seu rosto e ele viu apenas seus olhos negros e gélidos e sua boca com lábios cortados e dentes podres através de um capuz que essa tal besta usava.
-Não... Não me machuque! – Implorou.
-Eu disse que vou fazer carinho. – Dito isso, sua mão áspera e nodosa desceu de encontro ao seu sexo e se pôs a excitá-lo. – Eu quero que me ame.
“Ele fala minha língua! E como esse monstro pode estar fazendo isso? Ele é um louco! Meu Deus, ele me masturba! Ele irá devorar-me, começando pelo meu sexo endurecido! Não, não posso deixar isso acontecer” – Pensou Josef controlando-se para não ficar ereto.
-Mostre o seu rosto... Quero vê-lo! – Ordenou Josef morrendo de medo da reação da besta.
-Não... Não posso retirá-lo... Se eu o retirar, você não irá me amar. – Abaixou a cabeça e começou a observar o pênis de sua vítima que começava a dar sinais de ereção. -Você gosta do meu carinho? Eu faço direito? – Monstre Noir falou e Josef balançou a cabeça negativamente, o que foi um erro.
Nesse instante, Monstre Noir se levantou com raiva, cheirando a mão com a qual masturbou sua vítima. Aspirava o cheiro impregnado do pênis de Josef com força, como se sua própria mão fosse aquela mastro, enquanto cheira, ele se balançava vertinosamente e se afastava da cadeira onde estava sua vitimava, mas logo parou abruptamente, tomou fôlego e gritando com toda a sua força correu na direção da cadeira, pulando em cima de Josef e lançando-o ao chão. Suas unhas cravaram nas carnes das costas em puro sangue de Josef, que também se pôs a gritar de desespero e dor. Monstre Noir começou a falar gritando e cuspindo saliva em seu rosto:
-Você é igual aos outros? Você não gosta do meu carinho!!! VOCÊ NÃO VAI ME AMAR? Pois então eu sei o carinho que irei fazer a você!
Dito isso, desamarrou Josef e o arrastou pelos cabelos até uma mesa.
-Deixe-me ver o teu rosto! Deixe-me ver monstro de repugnância! – Berrava Josef.
Monstre Noir tinha realmente muita força e fora fácil para ele amarrar aquele simples homem naquela mesa. De bruços, com suas pernas e braços abertos Josef fora amarrado, o sangue que escorria em suas costas fora estancado pelo seu próprio organismo.
-Talvez você não queira ficar ereto! – Falou o monstro.
“Como esse animal conhece tão bem a minha língua?”
-Talvez você seja como o outro... Ele gostava de ser furado.
-Solte-me seu animal!
-Eu vou fazer você ter amor por mim. Eu vou te conquistar, vou dar o que você quer. - Monstre Noir, para desespero de Josef, pegou um pano preto e o vendou com força.
Imobilizado e com uma venda tapando seus olhos, Josef começou a gritar mais alto. Tremia de medo e pavor diante do que aquela besta podia estar tramando contra ele. Quem era aquele monstro que sabia fala francês tão bem? Monstre Noir realmente tinha seus segredos. Tamanho era o esgotamento físico e mental de Josef, que este se pôs a chorar desesperadamente enquanto Monstre Noir remexia mais adiante em um baú velho e antigo.
-Onde está? Eu o usei com o outro... Onde está pequeno Thor...
“Ele conhece mitologias!” – Exclamou Josef em meio ao seu pranto desesperado...
-Achei-o! – Monstre Noir se posicionou atrás de sua vítima e apertou sua bunda com aquelas mãos ásperas, frias e ágeis. Com o dedo indicador da mão esquerda, pois o da direita faltava-lhe e no outro que restara ele usava um grande anel de ouro, foi deslizando por entre a bunda de Josef até encontrar seu retraído cu.
-És melhor que o outro... Tem uma bunda rígida e grande. Thor irá se deliciar... – Penetrou seu dedo com selvageria e como era desajeitado e suas unhas estavam grandes, Monstre Noir machucou aquela região tão sensível. Mas mesmo diante dos gritos de Josef ele não parou. Enfiou o outro dedo, e depois mais um! Até quase caber toda a sua mão dentro daquele cu apertado, esfolado e contraído de tanto medo e pavor.
-Receba Thor com alegria... – Thor era um pedaço largo de madeira lascada manualmente na forma de um grande pênis, um pedaço de madeira grande, devendo ter uns vinte e cinco centímetros de diâmetro. E era esse pedaço de madeira que estava sendo pressionado contra o pequeno cu de Josef.
Ele já não gritava mais, com seus olhos vendados apenas fazia força para impedir que aquele objeto penetrasse dentro de seu corpo. Mas era inútil, Monstre Noir era forte e insaciável, além de ser insensível com a dor alheia. E aquele monstro, percebendo a dificuldade para penetrar o “pequeno Thor” em sua vítima resolveu lubrificar a região.
-Você não pode resistir a mim! Eu só quero o seu amor... Receba Thor em seu corpo, é uma ordem!
-Você merece a morte!
Monstre Noir mais uma vez se descontrolou e começou a gritar de fúria perante a resistência de Josef. E sem esperar, Josef teve suas costas cortadas por um facão, um corte de tamanho médio, porém profundo e mesmo não tendo mais forças para gritar, ele gritou e retraiu todos os seus músculos. E o sangue que escorria daquele corte, Monstre Noir puxava com sua mão até escorrer por entre a sua bunda contraída, umedecendo o local e fazendo com quê ficasse mais fácil a penetração de Thor. E realmente ficou. Monstre Noir penetrou com força e brutalidade aquele mastro no corpo de Josef e logo começou um movimento alucinante para trás e para frente com aquele pedaço de madeira. Se não fosse o sangue que já existia no local por conta do corte, Monstre Noir teria percebido que sua vítima começou a sangrar pelo cu.
Josef era forte, mas isso era muito para ele e acabou por desmaiar.
-Gosta de Thor? Eu disse que iria fazer muito carinho... – A besta não percebeu que ele havia desmaiado. – Responda-me! Gosta de Thor? – Perguntou tirando o pedaço de madeira de dentro dele. – Diga! – Disse penetrando Thor com força para ver sua reação. Monstre Noir então caminhou em direção ao seu rosto e dando dois socos, que fez sua boca sangrar, chegou a conclusão de que ele havia “dormido”. - Dormindo? Está dormindo!!! Não gosta dos meus carinhos!? Esnoba-os? Eu irei te acordar verme!!! – Novamente gritava e penetrou o pedaço de madeira com tal força que fez com que entrasse tudo, perfurando seu intestino e fazendo com que sangrasse mais.
Monstre Noir também tinha comida em seu covil de atrocidades. E pegando um pode de sal, despejou-o em cima das costas ensangüentadas de Josef com fúria em seu olhar. Depois de despejar o pote por completo, ele começou a esfregar aquele sal por toda a extensão do corpo de Josef, pressionando e arranhando com suas unhas cada centímetro, cada parte. E isso funcionou, fazendo Josef voltar à sã consciência de maneira violenta. Sentindo a pior dor de toda a sua vida ele gritou, esperneou e de todas as maneiras começou a tentar se livrar da amarras que o prendiam naquela mesa.
-CALE-SE!!! VOCÊ NÃO GOSTOU DO MEU CARINHO, VOCÊ ME XINGOU!!! EU SÓ QUERIA TE DAR CARINHO E AMOR!!! AGORA SOFRA!!!
Monstre Noir estava descontrolado e agora invés de apenas arranhar as costas de Josef, ele a esmurrava com toda a força, quebrando seus ossos e fazendo Josef cuspir sangue, tamanha era a potência dos socos.
Depois que Monstre Noir acalmou-se, ele tirou a venda negra dos olhos de Josef e perguntou:
-Você não me ama? – Josef sangrava pela boca e não sentia mais suas pernas, pois sua coluna devia estar quebrada.
-O inferno te aguarda. – Foi a única coisa que ele conseguiu responder.
A besta enfureceu mais uma vez e com os olhos vermelhos como o sangue de Josef gritou e começou a destruir e esmurrar o que via pela frente e quando olhou para Josef, desferiu um soco fenomenal que quebrou o seu pescoço.
Josef estava morto.
O demônio negro então o desamarrou e o jogou no chão. Retirou com uma insensibilidade demoníaca aquela madeira chamada Thor de dentro de seu corpo perfurado, pegou o facão do qual abrira o corte nas costas do falecido Josef e cortou seu pênis e seus testículos.
-Eu só queria o seu amor – Falava enquanto esfregava aquele pedaço de carne em seu rosto, agora sem o capuz – Eu queria que me amasse. – Ele lambia o sangue que pingava do pênis recém amputado. - Mas como você foi mal comigo, eu comerei aquilo que te fez homem e te deu tanto orgulho.
Dito isso, abocanhou a carne. Começou pelos testículos, e assim que os mordeu um líquido começou a pingar de sua boca numa mistura de sangue, saliva e fluidos do próprio testículo. E com mesmo furor ele engoliu seu pênis. Dando por fim o seu ritual de sacrifício.
***

A Lagoa de Sangue

Todos se reuniram nos portões da cidade empunhando tochas e armas, outros com suas foices e machados. Todos sedentos por ver a cabeça daquela besta rolar.
-Como este é um grupo grande, vamos nos separar em três grupos menores. Alguns poucos sigam Pierre. Outros sigam Idorré, o guarda particular de meu pai. E mais alguns me sigam. – Falou em tom de ordem aos homens que ali se encontravam. – Thierry você virá comigo.
-Com certeza homem!
E assim eles se dividiram em três e começaram a avançar para dentro da floresta que circundava o condado de Grenouille. Todos no mais mortal silêncio e apreensão, pois a besta podia vir de qualquer parte e atacá-los. Os olhos estavam atentos e os ouvidos cautelosos. O nervosismo de todos ali presentes naquela caçada ao demônio da noite era suficiente para que qualquer galho que estalasse fosse motivo para empunhar suas armas e atirar sem pensar duas vezes.
Padre Yorran, segurando com uma mão sua batina levantada e com a outra sua bengala de prata, corria na direção oposta ao grande grupo de recém-caçadores de monstros. Sua testa estava pingando suor e ele, mesmo sendo uma noite fria, sentia muito calor dentro aquela roupa.
-Eles são loucos! Cristo! Ele não sabe o que fez! Tende piedade dessa pobre criatura...
Passado um dado momento, todos os grupos já estavam bastante longe um dos outros. Idorré estava muito inquieto com sua situação de ser o chefe de um grupo diferente do filho de seu senhor. Um homem perto dele, percebendo sua inquietação perguntou:
-Está bem? Algo lhe preocupa?
-Não, não... Eu preciso seguir por aquela direção.
-Ótimo, vamos lá!
-Na verdade tenho que ir só. Você é o novo chefe do grupo.
-Mas...
Não pôde mais prosseguir com sua frase, pois Idorré já havia penetrado o matagal à sua frente deixando-o com uma imensa responsabilidade em suas costas.
-O que houve Lorran? – Um jovem robusto vinha logo atrás.
-Nada... Mas isso está começando a cheirar mal...
Idorré corria por entre o matagal à procura de Antoine. Mesmo não concordando com o que Auguste havia lhe ordenado ele teria de cumprir. Num dado momento, Idorré avistou o padre Yorran correndo desespero por entre a floresta.
-Até o padre está nessa caça? Isso até que está divertido...
Mas voltando à sua missão, se colocou novamente no rastro de Antoine.
Enquanto todos esses fatos estranhos aconteciam com o outro grupo, Antoine avançava para dentro da floresta com parcimônia.
-Não acha que já está na hora de voltar?
-Só iremos voltar quando o sol raiar.
-O quê!?
-Sim Thierry e, por favor, fale baixo.
Depois dessa resposta seca, Thierry ficou extremamente magoado com ele e resolveu andar por seu próprio caminho. Muitos ficaram sem entender essa mudança repentina de caminho traçado por Thierry e alguns homens o seguiu.
Idorré enfim avistou o grupo de Antoine e percebeu que havia poucos homens junto dele.
-Será mais fácil. Ninguém pode ver. Agora preciso esperar o momento certo. – E se pôs a observar de longe o grupo.
O tal momento não demorou muito para acontecer, pois, vindo mais além da onde estavam, escutaram gritos e tiros sendo disparados.
-A besta!!! Ela está atacando!!! – Gritavam vozes irreconhecíveis.
-Mon Dieu! Thierry! – Alarmou Antoine – Thierry? Onde você está? Nãoooo!!! – Agora ele havia percebido o mal que estava acontecendo. – Todos! Para lá! Agora!
Mas antes mesmo de dar o segundo passo seu tornozelo prendeu em uma raiz de alguma árvore fazendo com que caísse de boca e ficando com o pé preso nessa tal raiz, e como todos os outros estavam preocupados com a besta, ninguém percebeu o seu tombo. Apenas Idorré.
Aproximando-se cautelosamente pelas costas, Idorré preparava o seu punhal, pois queria que fosse apenas um único golpe. Queria que fosse rápido. Mas mesmo antes de levantar a lança para atingir Antoine, este conseguiu se libertar da raiz e se levantou com dificuldade empunhando um facão de porte médio.
-Idorré! O que você esta fazendo!?
-Cumprindo ordens. – Dito isso, avançou contra o pescoço de seu oponente e os dois caíram no chão numa fervorosa luta.
Um pouco mais além dessa cena horrível, algo muito pior ocorria. Monstre Noir, no momento em que depositava o corpo de Josef ao lado de uma lagoa fora surpreendido pelo pequeno grupo de Thierry que abriram fogo instantaneamente assim que perceberam que era a besta. O demônio da noite, mesmo recebendo dois tiros em seu abdômen conseguiu avançar contra o grupo e começou a derrubá-los como se fossem peças de um grande tabuleiro de xadrez. Sua força era muito potente e era fácil para ele erguer um homem e jogá-lo contra as árvores. Muitos morreram devido aos seus golpes que literalmente faziam com quê voassem longe batendo a cabeça em pedras ou quebrando vários ossos ao se chocarem contra os troncos das inúmeras árvores.
Thierry tentou acertá-lo com sua arma, porém errou o alvo e Monstre noir percebendo-o avançou contra ele que fora arremessado em cima de um punhado de pedras. Mas ele não havia morrido, porém, invés de se levantar novamente, ele se fingiu de morto.
“É inútil tentar matá-lo sozinho. Tenho que avisar os outros.” (Pois todo o seu grupo ou havia sido morto ou havia corrido do local dessa chacina).
A borda da lagoa se tingiu de vermelho devido ao sangue que escorria daqueles homens.
Antoine ainda lutava contra Idorré. Mas ambos tinham o mesmo porte físico e a luta era acirrada. Até que, por descuido do guarda, Antoine viu a oportunidade de imobilizá-lo através de uma chave de braço.
-Fale agora!!! Porque está fazendo isso Idorré!? Ficou louco???
-Mate-me logo! Vamos! Agora homem!
-Matarei você quando eu sentir vontade. Agora me fale! – Apertou com toda a força o seu pescoço. – QUEM!?
-Seu... Pai...
-Mas... Você mente!
-Não! Seu pai não queria que antigos segredos voltassem à tona e pediu para te matar, pois você era um estorvo e uma vergonha para ele.
-QUAIS SEGREDOS???
-Eu... – Idorré estava com a cor da pele do rosto roxa – Não sei...
-Ahhhhh!!!
Nesse momento ele ouviu os gritos da besta novamente. E dando as costas para Idorré começou a andar na direção dos gritos. Porém Idorré tinha ordens e devia cumpri-las. Avançou novamente contra Antoine, mas este foi seu último movimento. Antoine fora mais rápido e virando com agilidade atingiu-o no meio da testa com um tiro.
-Agora eu senti vontade de te matar. – E correu para Thierry.
***

O Passado de um Homem

Chegando perto do local, avistou a besta acabando de arrancar a cabeça do corpo de algum infeliz. Mas assim que fez menção de avançar até aquele animal ele foi obrigado a jogar-se no chão se fingindo de morto, pois a última pessoa que ele esperava encontrar apareceu no local.
-MON DIEU!!! O que você fez!!! – Gritou padre Yorran.
-Meu pai... Ele não quis me amar. Ele me xingou.
-E todos esses corpos? Não quiseram te amar também? Como você pode! Você havia prometido! – Enquanto falava, desferia golpes com sua bengala nas costas daquela criatura encurvada no chão. – Preciso tirar você daqui...
-Mas antes você irá me explicar tudo! – Gritou Antoine.
O que aconteceu depois foi tudo muito rápido. Antoine apontou a arma para o padre e a besta fez que iria avançar contra ele, porém ouviu Thierry preparar sua arma e gritar o nome de Antoine e logo resolveu pegar Thierry como refém ao mesmo tempo que Antoine pegava o padre e colocava a arma em sua cabeça.
Ambos tinham pesos valiosos como reféns.
-Solte Thierry.
-Solte meu pai.
-Mon Dieu! Christ! Proteja-me.
-Antoine! Cuidado!
Um momento de tensão pairou sobre todos. Fora Antoine que começou.
-Conte-me tudo padre Yorran! Que loucura é essa!?
-Não o machuque, ele não é assim por que desejou ser assim. Ele é fruto do descaso e da ignorância de seu verdadeiro pai.
-Pai – Grunhiu o monstro – Você é que é meu pai.
-Eu já disse que não Josherran! Por favor!
-Quem é o pai dessa besta? – Antoine falou.
-Quem? Garoto... Auguste de Lá Fontaine tem muitos defeitos e já errou muito. Mas nenhum erro se compara ao fato de ter rejeitado essa pobre criatura pelo simples fato de não ser um exemplar da magnífica beleza de sua linhagem! Josherran! Veja! Este aqui é teu irmão! Antoine, de que tanto lhe falo.
-Não!!! – Apertou ainda mais o pescoço de Thierry. – Você não é! Eu não tenho irmão. Nunca ninguém me amou, só pai Yorran!
-Mande-o tirar o capuz. – Josherran só saía de sua caverna com o capuz.
-Antes meu pequeno Antoine, olhe nas mãos dele. – Antoine viu um grande anel de ouro parecido com o que todos os membros de sua família possuíam. – Vê? É um legítimo. Dado pelas mãos de sua mãe antes de morrer.
-Mentiraaaa!!! Minha mãe morreu no meu parto!
-Sua mãe não é Elizabeth de La Fontaine! Você é filho de uma das acompanhantes de Elizabeth. Logo que Josherran nasceu, seu pai o deu a mim para que o matasse e prendeu Elizabeth em seu quarto, como castigo por ter lhe dado um herdeiro deformado. A parteira foi morta, pois ninguém podia saber daquele acontecido. E para não levantar suspeitas, Auguste engravidou Liollan e a prendeu junto com Elizabeth. Quando você nasceu, as duas foram mortas e a reputação de beleza e virilidade seguiria com você. Perfeito e belo.
-Você mente. – Antoine deixou-se por cair no chão. E com um sinal, padre Yorran mandou Josherran soltar Thierry. Ele obedeceu e começou a se aproximar de Antoine com curiosidade.
-Meu... Irmão...
-Afaste-se!
-Olhe para mim. – Tirou o capuz.
- Christ! – Foi a única coisa que conseguiu dizer.
O luar era intenso. E aproveitando a luminosidade, Josherran se aproximou da superfície límpida da água da lagoa.
-Não! Meu filho, isso não é necessário!
-Eu preciso... – Inclinou-se para frente e depois de se observar por alguns instantes, fechou os olhos e ajoelhou. – Eu... Nunca ninguém irá me amar. Eu TENHO que morrer. Agora eu compreendi. Não posso viver aqui. Não posso nem sequer viver! Mas antes tenho que fazer algo. Me perdoe, pai.
Dito isso, saltou pelos galhos das árvores e sumiu por entre a floresta.
-Onde ele foi? – Exclamou Thierry.
-Pense! Ele foi ver aquele que deveria amá-lo, porém nunca o amou. – Disse padre Yorran.
-Pai.
***

Fim

Três batidas na porta. Passos... A maçaneta rodou.
E no momento seguinte, com um pontapé Josherran arrebentou a porta em cima de Auguste. Entrara sorrateiro no castelo com poucos guardas e logo achou o seu aposento graças a uma de suas servas que antes de desmaiar, ensinou-lhe o caminho.
-Mas o quê é... NÃO! A besta! So... – Josherran tapou-lhe aboca com tal força que quebrou sua mandíbula. Depois disso, amarrou Auguste na cama, colocou um enorme guarda-roupas na porta para impedir a passagem dos guardas e subiu em cima da cama.
-Eis que o bom filho retorna ao seu leito. – Auguste estava perplexo. – Lembra-se de mim? Pai.
-Nã! Nã! – Era a única coisa que conseguia dizer, pois seu queixo estava pendurado, balançando vertinosamente em seu rosto.
-Si, si... - Caçou Josherran. – Olhe!!! – Apontou para a mão em que tinha o anel. – Sou eu! Seu filho deformado! Rejeitado! EUUUU!!! Lembra-se? Aquele que o senhor entregou a padre Yorran para que matasse.
Auguste só balançava a cabeça freneticamente de um lado para outro.
-Irá morrer no fogo, pois é o fogo o seu destino.
Deixou a querosene da lamparina cair no chão, molhando o tapete e logo depois uma vela fora acesa...
-Não!!! – Exclamou Antoine, - Chegamos tarde! – O fogo já consumia o castelo com fúria e para aqueles que possuíam um bom ouvido dava-se para ouvir os gritos de Auguste de La Fontaine preso em sua cama sendo cremado vivo.
-Josherran! – Exclamou padre Yorran
***

O Raiar de um Novo Dia

O castelo foi consumido em chamas. Antoine nada pode fazer. Apenas pegou suas poucas coisas e se mudou para Paris definitivamente com Thierry. Mas antes ele ordenou que procurassem nas ruínas do castelo, os anéis de Josherran e Auguste, pois contou ao povo do local a verdadeira história da besta.
Porém, somente um anel fora encontrado: o de seu pai.
***

Conto de JC, Exclusivo Bondage Man

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